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De quando ficamos velhos
Ao ler no jornal uma declaração de uma artista conhecida que diz sentir muito medo de envelhecer, pensei comigo e para mim “não será o mesmo que temer beber água, sair de casa ou terminar o ano?” Estranho ouvir e ler tais comentários sem se imaginar velho, cheio de rugas e de netos. Porém, se tudo continuar rumando para isso, o comum deveria ser comemorar, no instante em que se pensa que nem metade disso poderia ter acontecido. Sem dúvida, o que nos faz cultivar esse pavor da idade, levando-nos até a mentir os números, esquecer as datas e evitar aniversários, nada mais são do que os efeitos midiáticos perfuradores: esses que nos acompanham todos os dias in TV, rádio, jornal, revista e internet. As linhas de cosméticos que se renovam mensalmente agradecem o esforço dos bonitões e das bonitonas da moda, pois o que se vê é sempre o resultado de muita dedicação ao corpo.
E aí sim é que se entende o porquê do medo da velhice. Porque ficar velho não significa viver para criar os filhos, fazer a viagem dos sonhos, buscar a felicidade em alguém e/ou algum lugar. As marcas de expressão ganharam nova significação, tão trivial que se espalha como um parasita por esses espaços comunicativos. E aí, ao contrário, o que passa a ser trivial é a velhice, tendo em vista que “velho”, adjetivo quase em extinção, se me permitem o trocadilho, está tão obsoleto, porque é pejorativo, porque deixou de ser algo comum à idade, como é a água quando se tem sede, como é a rua quando se precisa sair de casa ou como é o novo ano quando este termina. Espero lembrar-me disso daqui a trinta anos ou, quem sabe, até menos.
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