Quem nunca teve aquela vontade repentina de sumir em plena quarta-feira de trabalho estressante? E pegar no volante ao som do melhor rock n’ roll, sem rumo, sem hora pra voltar? Toda essa mistura de fumaça negra, ruído, aço e concreto pesa o ânimo e derruba a resistência. Mesmo que eu seja capaz de duvidar da minha própria disposição para mudanças drásticas de ambiente, posso admitir que me sinto sim um avestruz de vez em quando. Faço parte da geração coca-cola, de fato, mas a velocidade cotidiana causa vertigem.
O post de hoje foi inspirado na canção do compositor
Zé Rodrix, que morreu na madrugada de ontem. É uma das músicas que eu não me canso de ouvir – na voz de Elis Regina, claro.
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais
Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
Meu filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal
Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros
E nada mais