Pois é. Se um dia eu pensei fazer disso aqui um blog e postar constantemente para alguns lerem, hoje eu já não posso pensar o mesmo. O motivo é o de sempre: a minha falta de tempo e de disposição. Aproveitando o feriado e o que ele pode me proporcionar - ou seja, tempo e até disposição – venho aqui deixar bem claro que ainda tenho sentimentos (sim, muito intensos!) por este blog. Então, enquanto como uma deliciosa torta capixaba, com seus pedaços de palmito devidamente retirados, escrevo uma coisa para vocês:
Na semana passada tive o prazer de assistir a uma homenagem a José Carlos Oliveira, grande cronista, contista e romancista, principalmente da década de 60, e – o que é melhor – capixaba. Carlinhos Oliveira, como era conhecido no Brasil inteiro, morria há 25 anos e deixou um legado impressionante que ainda pode ser conferido na Biblioteca Pública do Espírito Santo. Como diz João Paulo Cuenca neste vídeo, Carlinhos foi um cronista que por aí já não pode se ver mais, capaz de unir crítica e lirismo com muita categoria e leveza. Pude confirmar isso através do livro que ganhei de Regina, a grande organizadora e responsável pela guarda desse tesouro literário. O “Diário da Patetocracia” é política, futebol e sarcasmo com muito gosto, muito gosto de continuar lendo até o fim – e vontade de ler novamente:
“Quando um homem chega em casa e encontra os seus filhos com fome, ele tem o direito de conferir ao Estado a forma de um castelo kafkiano. E toda vez que ocorre um golpe de estado, a primeira providência dos novos poderosos é desentrelaçar a multidão, é o toque de recolher e a proibição de ajuntamento nas ruas, é a solidão obrigatória. E tudo isso é tão elementar, pobre Nelson Rodrigues!” (p.137 de o Diário da Patetocracia).




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