E se a Copa do Mundo acontecesse todo ano? Nascer no país do futebol dá nisso: pelo menos de quatro em quatro anos você reflete acerca dessas influências terríveis que nos consomem e nos fazem consumir. Somos engolidos pela corrente futebolística, pagamos muito por isso e a corrente vai crescendo a cada vitória. No final, o preço da conta é um só. Mas, como está no sangue e na mente, ser brasileiro de tudo isso faz parte. Quase nunca gosto de apelidar o país assim: país do futebol. Mas quem discorda?
Tudo acaba voltando ao normal. O que foi pintado de verde e amarelo volta a ser cinza, as bandeiras são lavadas e guardadas, as camisas também. Pena que o normal é esse, tão real. Se todo ano fosse assim, não haveria tempo para lavagens e esquecimentos. Se fosse assim, sorriríamos e gritaríamos mais por algo. Porém. Porém não se sabe onde ficariam os compromissos, os deveres e as obrigações. Voltemos às escavações e organizações políticas, econômicas e sociais. Porque o mundo parou. Mas o Brasil congela nesses tempos de futebol. E, pensando assim, ainda bem que isso só acontece de quatro em quatro. E olhe lá.




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